que eu era criança.
Usava ainda trança.
Inocente, tão pura, tão mansa.
Andava pelos campos
colhendo flores do mato,
procurando e adorando
ninho de pássaros,
correndo ao vento no pasto.
Vez ou outra
montava no cavalo mineiro,
Chegava da escola correndo
com o estômago de fome doendo.
Em busca de ovo caipira no galinheiro,
lá ia eu pro terreiro.
Me lembro da cachoeira que descia
parecendo véu de noiva de tão linda.
Nada da vida, porém, entendia.
Nas noites geladas
com a lenha trepidando no fogão,

meu pai colocava brasas no chão.
Em volta delas nem arrepio vinha,
nem frio eu sentia.
A felicidade estava nas mãos
e dela eu nem sabia.
tudo fica diferente,
tudo muda,
tudo finda,
nada mais é igual,
tudo se transforma, afinal.
Laura Válio

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